Arquivo

Archive for agosto \12\UTC 2011

SEAN CONNERY DEU O PRIMEIRO BEIJO ENTRE HOMENS NA TV BRITÂNICA

Sean Connery protagoniza o primeiro beijo entre homens na TV britânica

Pesquisadores de TV no British Film Institute (BFI) identificaram uma cena que eles acreditam serem as do primeiro beijo entre homens exibido na TV britânica, no teledrama Colombe (1960), estrelado por Sean Connery. Os tapes de Colombe, que pertenciam ao Public Broadcasting Service WNET New York, que apresentou o teledrama depois que ele foi ao ar na BBC ou na ITV, foram encontrados na Biblioteca do Congresso Americano, que os doou ao BFI. O personagem de Sean Connery suspeitava que o irmão, interpretado por Richard Pasco, estivesse dormindo com sua esposa, vivida por Dorothy Tutin. Na tentativa de entender a razão dessa suposta traição da mulher, ele beijava o irmão na boca – assim, como um teste, para saber aonde ele estava falhando… Dick Fiddy, consultor de TV do BFI, não pode recordar se houve reação do público a este primeiro beijo entre homens na TV britânica, mas acredita que ele foi aceito sem protestos devido ao contexto da cena e pelo fato de o teledrama adaptar um clássico do teatro escrito por um grande dramaturgo francês: Mademoiselle Colombe, de Jean Anouilh.

Até 1967 uma lei na Inglaterra proibia manifestações homossexuais em público. Exibir um beijo entre dois homens em 1960 foi uma ousadia do teledrama, da emissora que o exibiu e dos atores envolvidos. O BFI exibiu Colombe ao público em junho de 2011 com um painel de discussão, que fez uma revisão histórica: até então, a novela britânica EastEnders (1989, BBC) era apontada como a primeira produção televisiva a mostrar um beijo entre homens, protagonizado por Michael Cashman e Nicholas Donovan. A cena foi vista por 20 milhões de pessoas, incluindo crianças, por ter sido exibida em horário da tarde, pelo que a BBC foi muito criticada na imprensa da época. Nos EUA, a série Nos bastidores da lei (1991) foi apontada como a primeira produção a apresentar um beijo entre duas mulheres, protagonizado por Michelle Greene e Amanda Donohoe.

Fontes: Pink News; Veja.

Anúncios
Categorias:Nota

OS 75 FILMES MAIS PROCURADOS PELO BFI

Bernhard Goetzke em 'The Mountain Eagle', de Alfred Hitchcock.

“Os Mais Procurados do BFI é o tipo de iniciativa que todo país devia tomar. É um trabalho de importância vital que precisa ser feito.”

Martin Scorsese

A história do cinema é também a história da destruição dos filmes após sua exibição nas salas de cinemas, nas mãos dos herdeiros dos cineastas; no abandono dos porões úmidos e empoeirados; nos incêndios dos laboratórios, arquivos e cinematecas; nos depósitos de lixo após a bancarrota das produtoras ou a mera suspeita levantada contra eles de que não seriam mais rentáveis. A maioria dos filmes do período silencioso desmanchou-se no ar, quase sem deixar traços: de muitos restam apenas fotogramas e fragmentos; de alguns só notícias em jornais da época; de outros apenas um título num velho catálogo. Com o advento do som, as produtoras não acreditavam que seus filmes mudos teriam interesse: desfizeram-se de seus filmes em nitrato (usado até 1951), dissolvendo as películas para recuperar os grãos de prata que continham. Alguns estúdios destruíam certos filmes deliberadamente ao obterem os direitos de fazer sua refilmagem (a MGM tentou destruir a versão de 1940 de Gaslight!). O Arquivo Nacional Britânico de Filmes colocou para si a meta de encontrar o maior número dos títulos da lista que elaborou com os 75 filmes mais procurados – aqueles que considerou os mais relevantes para serem preservados e conhecidos. A lista é encabeçada pelo único filme ainda desaparecido dos 57 dirigidos por Alfred Hitchcock: The Mountain Eagle (1926), que o ainda jovem cineasta rodou em locações invernais na Áustra e nos estúdios da Emelka, na Alemanha, estrelado por Bernhard Goetzke – a Morte de Der müde Tod (A morte cansada / As três luzes, 1921), de Fritz Lang. O BFI lançou ao público em geral e aos colecionadores e arquivistas um apelo para checarem todos os porões, todas as estantes, todas as gavetas, todos os esconderijos secretos, até encontrarem esses filmes desaparecidos. A caça aos tesouros perdidos do cinema britânico começou. Que os caçadores de películas tenham sucesso em suas buscas!

Categorias:Nota

RETROSPECTIVA MARISTELA NO CCBB-SP

Alberto Cavalcanti

Com curadoria de Rafael de Luna Freire, foi programada para o CCBB de São Paulo, de 3 a 14 de agosto de 2011, a integral da Companhia Cinematográfica Maristela. Criada em 1950, com seu estúdio sediado no Jaçanã, a produtora teve uma vida breve, mas legou-nos alguns dos melhores exemplares de comédia inteligente e dramas sociais do cinema brasileiro, como o amargo Canto do mar e os geniais Simão, o caolho e Mulher de verdade, de Alberto Cavalcanti.

Para o evento foram confeccionadas cópias novas para Vou te contá…, Mulher de verdade, Susana e o presidente, Arara vermelha, Presença de Anita e o curta-metragem O cinema nacional em marcha. Haverá debates com Prof. Dr. Afrânio Mendes Catani (USP) e Prof Dr. André Gatti (Anhembi Morumbi), com mediação do Prof. Dr. Luís Alberto Rocha Melo (UFJF); Rafael de Luna Freire (curador) e Profª Drª Flávia Cesarino Costa (UFSCAR), com mediação da Profª Drª Laura Cánepa (Anhembi Morumbi).

Filmes

O comprador de fazendas (Brasil, 1951′, 90′, p&b). Direção: Alberto Pieralisi. Ao tentar vender sua fazenda já decadente, o proprietário hospeda um possível comprador, realizado inúmeras despesas com ele, o qual, acaba por descobrir, é apenas um pintor de paredes que se faz passar por milionário para usufruir de bons momentos. Mas quando o fazendeiro descobre a verdade, passando a ser motivo de chacota na cidade, acontece uma surpresa.

Simão, o caolho (Brasil, 1951, 95′, p&b, comédia). Direção: Alberto Cavalcanti. Em São Paulo, um corretor de negócios, velho e malando, Simão, o caolho, anda as voltas com sua mulher e um bando de amigos turbulentos, sempre à espera de um lance de sorte na vida. Um de seus amigos, metido a inventor, vivia prometendo um olho suplementar para Simão. Um dia, esse olho aparece e Simão torna-se milionário, pois tem a capacidade de torna-lo invisível. Simão decide então entrar na política, candidatando-se a Presidência da República.

Presença de Anita (Brasil, 1951, 972′, p&b, drama). Direção: Ruggero Jacobbi. Homem casado envolve-se numa relação trágica com a independente Anita. Posteriormente, a história parece se repetir com o assédio da jovem e bela cunhada Diana.

O cinema nacional em marcha (Brasil, 1951, 10′, p&b, doc). Direção: Jacques Deheinzelin. Documentário que retrata uma visita aos estúdios da Cinematográfica Maristela, desvendando para o público os mistérios que envolvem a realização de um filme. São mostrados os equipamentos da fotografia e som, os depósitos de negativos, a produção dos cenários, os sets de filmagens, os camarins e salas de maquiagens, até os escritórios e a sala e projeção.

Susana e o presidente (Brasil, 1951, 79′, p&b). Direção: Ruggero Jacobbi. Jovem interiorana, recém-chegada à cidade grande, apaixona-se por jogador de futebol, sem saber que ele é dono da empresa onde trabalha.

Meu destino é pescar (Brasil, 1952, 72′, p&b, drama). Direção: Manuel Peluffo. Pressionada por problemas financeiros na família, Helena casa-se com o viúvo Paulo, sem amá-lo, mudando-se com ele para a fazenda junto dos parentes do marido. Lá descobre que a primeira esposa dele, Guida, fora morta devido ao ciúme doentio de Paulo. O fantasma de Guida e os rancores da família assombram a fazenda.

Mulher de verdade (Brasil, 1953, 107′, p&b, comédia). Direção: Alberto Cavalcanti. Quando conhece a enfermeira Amélia, o malandro Bamba regenera-se e casa-se com ela. Mas Amélia esconde esse casamento por causa do trabalho e, após uma série de reviravoltas, acaba se casando com outro homem, dessa vez da alta sociedade. Amélia, então, tem que se virar para conseguir levar essa vida dupla.

O canto do mar (Brasil, 1953, 87′, p&b, drama). Direção: Alberto Cavalcanti. No litoral nordestino, que acolhe migrantes do sertão à espera de viagem para o Sul, o drama de uma família em desestruturação, devido a problemas financeiros e psicológicos motivados pela miséria.

Mãos sangrentas (Brasil, 1954, 90′, p&b). Direção: Carlos Hugo Christensen. A rebelião dos detentos do presídio da Ilha Anchieta provoca uma fuga em massa. A polícia prende a maioria dos fugitivos sobreviventes, mas o grupo liderado por Adriano foge selva adentro com os perseguidores no encalço. É a esperança de reencontrar seu filho que faz o fugitivo superar todas as dificuldades em busca da liberdade.

Ana (Brasil, 1955, 25′, p&b, drana). Direção:  Alex Viany. Roteiro: Jorge Amado. A migração de retirantes nordestinos  e a exploração  a que estão sujeitos através de história de Ana, que viaja num pau-de-arara em busca de uma vida melhor.

A pensão da D. Stela (Brasil, 1956, 93′, p&b, comédia). Direção: Alfredo Palácios. Uma pensão, à beira da falência, é habitada por divertidos tipos que raramente pagam as contas. E a confusão só aumenta por ela ser administrada pelo espertalhão Nhô-Nhô, que vive resistindo as constantes  investidas amorosas de Sona Stela, a viúva dona da pensão e mãe de uma cantora de rádio  e um jogador de futebol.

Getúlio, glória e drama de um povo (Brasil, 1956, 85′, p&b, doc). Direção: D.ª Hamza. Realizado após o suicídio de Getúlio Vargas, este documentário reunia trechos de cinejornais sobre o presidente, inclusive cenas raras de uma reunião social realizda em 1921, quando Getúlio era Secretário da Agricultura do Governo Borges de Medeiros.

Quem matou Anabela? (Brasil, 1956, 93′, p&b, comédia). Direção: D.ª Hamza. A bela bailarina Anabela é assassinada, e seu corpo encontrado à beira de uma represa em São Paulo. Encarregado do caso, o comissário Ramos interroga as testemunhas que moravam com a vítima numa pensão. De cada uma delas, obtém uma confissão do assassinato e uma descrição completamente diferente da personalidade da vítima. O mistério cresce, até o final surpreendente.

Arara vermelha (Brasil, 1957, 110′, p&b). Direção: Tom Payne. A descoberta de um valioso diamante desperta a atenção de um garimpo no Pará. Na tentativa de começar nova vida para sua família, Luis e Sauá roubam a pedra, fugindo pelo meio da selva habitada por índios e feras. No encalço deles, está Seu Camura, o chefe do garimpo, que fará de tudo para recuperar a pedra preciosa

Casei-me com um xavante (Brasil, 1958, 88′, p&b). Direção: Alfredo Palácios. Homem branco desaparece depois de acidente de avião e se torna caciquede uma tribo de xavantes. Quinze anos depois, ele é trazido de volta da selva para a cidade junto de outros índios enquanto sua velha esposa é ameaçada por uma quadrilha liderada por bela e traiçoeira  proprietária de boate.

Vou te contá… (Brasil, 1958, 90′, p&b). Direção: Alfredo Palácios. Enquanto o filho de um empresário é seqüestrado por bandidos liderados pelo dono de uma boate, sendo o caso investigado por repórter policial, sua cunhada encontra um bebê na rua, gerando desconfiança no marido recém-chegado de uma viagem de vários meses.

Categorias:Divulgação

ENCONTRADA A PRIMEIRA PARTE DE ‘THE WHITE SHADOW’

The White Shadow (Inglaterra, 1923)

Foram encontradas no New Zealand Film Archive, na Nova Zelândia, as três primeiras bobinas – perfazendo meia hora – das seis do filme até então considerado totalmente perdido The White Shadow (Inglaterra, 1923), de Graham Cutts, estrelado por Betty Compson, no papel duplo de duas gêmeas, uma boa e outra má. O maior interesse da descoberta reside no fato de que o jovem Alfred Hitchcock, então com 24 anos, teve participação destacada na realização, escrevendo o argumento a partir da novela de Michael Morton e assumindo o desenho de produção, a assistência de direção e a edição do filme. Após a copiagem, os negativos em nitrato, altamente inflamáveis, foram guardados num bunker cedido pelo exército ao New Zealand Film Archive. Fontes: Ipsilon; The Dominion Post; Preserved Films.

O jovem Alfred Hitchcock nos anos de 1920

Categorias:Nota

ARQUIVOS PERDIDOS DO CINEMA BRASILEIRO – I

Eduardo Giffoni: “Pouco sabemos se na Atlântida a preservação histórica de cartazes, roteiros, planos orçamentários, fotos e partituras, era levada a sério mas, mesmo que sim, tudo foi tragado no incêndio de 1953. Hoje não há como narrar com precisão a trama de Moleque Tião e, ainda menos, de É proibido sonhar.” Leiam aqui uma matéria especial sobre a Atlântida e Moacyr Fenelon.

Categorias:Divulgação