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Archive for outubro \29\UTC 2011

A CULTURA DE PRESERVAÇÃO NO MEIO TELEVISIVO

Primeira vinheta da TV Tupi, em 1950.

Nos Estados Unidos a cultura de preservação demonstra sua lucratividade há décadas. As TVs americanas comercializam em DVDs seus programas gravados nos anos de 1950 e desde então preservados, além das séries transmitidas simultaneamente na TV.

No Brasil, apenas na década de 1990 surgiu uma mentalidade preservacionista nas emissoras brasileiras. A TV Tupi (Canal 4) perdeu a maior parte de sua programação arquivada, incluindo o que constitui para mim uma perda pessoal – todas as participações de meu pai no programa jornalístico Diário de São Paulo na TV e na primeira fase do programa político de entrevistas Pinga Fogo. Cito um longo trecho do artigo do pesquisador Edgard Ribeiro Amorim, “O telejornalismo paulista nas décadas de 50 e 60”:

[…]

A partir de 1955, apesar dos bons profissionais que havia na televisão, dois jornalistas se destacaram na TV Tupi e iniciaram a fase do repórter de televisão: Carlos Spera e José Carlos de Moraes (Tico-Tico). Esses dois profissionais, vindos do jornal Diário de São Paulo, dedicaram-se ao noticiário da televisão, indo atrás dos fatos, tentando transmitir diretamente dos locais, informando em primeira mão antes do jornal e do rádio, fazendo com que o veículo gerasse mais intensamente suas próprias notícias.

Ainda nessa emissora, além da continuação do Repórter Esso, foi colocado no ar o telejornal Diário de São Paulo na TV, às 22h30, diariamente, criação do jornalista Alexandre Von Baumgarten. O departamento de jornalismo da Tupi passou a ser dirigido pelo jornalista Armando Figueiredo, também profissional do jornal Diário de São Paulo. Armando Figueiredo deu um grande impulso ao departamento, reformulando sua orientação. O programa Repórter Esso, por exemplo, perdeu sua postura padronizada norte-americana, noticiando fatos brasileiros como principal atração e introduzindo notícias esportivas.

O programa Diário de São Paulo na TV passou a ser mais dinâmico, com reportagens próprias e inovando ao trazer personalidades para serem entrevistadas no estúdio. Muitas vezes, pelo interesse despertado, essas entrevistas tinham a duração aumentada, sem maior preocupação com o horário. Isso ocorria porque, nessa época, os horários dos últimos programas noturnos a serem transmitidos, tinham maior liberdade de ação. Não fazia diferença se eles fossem encerrados à meia-noite ou à meia-noite e meia, visto que depois deles a emissora terminaria suas transmissões.

Com a participação de Joaquim Pinto Nazario, João Batista Lemos e Almir Guimarães, o programa Diário de São Paulo na TV permaneceu muitos anos no ar e marcou época principalmente por sua atuação na informação e no debate da política brasileira. Embora a TV Paulista e a TV Record tivessem um competente departamento jornalístico, a TV Tupi se destacou mais nessa época. A emissora equipou uma perua com transmissores eletrônicos para poder gerar a notícia instantaneamente e criou o informativo Flash que, quando o assunto requeria, interrompia a programação e transmitia a notícia apenas em áudio, inaugurando a informação urgente, transmitida em emissão extraordinária.

[…]

Na TV Tupi, em 1961, surgiu o programa Pinga Fogo. Apresentado e coordenado por Aurélio Campos e com a participação dos jornalistas Almir Guimarães, José Carlos de Moraes, Carlos Spera, Maurício Loureiro Gama, Joaquim Pinto Nazario e Armando Figueiredo, o programa entrevistava um convidado, quase sempre ligado à política ou à economia. Iniciado por volta da meia-noite, muitas vezes estendia-se pela madrugada, chegando a até três horas de duração, pelo interesse que o assunto suscitava. A inovação que trouxe, além de esmiuçar fatos importantes da sociedade nacional, foi introduzir a participação do telespectador, que podia fazer perguntas ou opinar, por intermédio do telefone.

Com duração de sete anos, Pinga Fogo, mesmo após o golpe militar de 1964 e a instalação da ditadura, manteve sua linha de informação, de interferência ou denúncia. Contudo, em1968, foi encerrado, em razão da promulgação do Ato Institucional nº5, pela ditadura, que acabou com a força de expressão de todo programa jornalístico de cunho político. Até então, a preocupação maior da censura de televisão, no país, havia sido, sempre, em relação a cenas de desrespeito à moral familiar. Do AI-5 em diante, a vigilância militar sobre o conteúdo das informações passou a ser total.

[…]

A Cinemateca Brasileira conserva o que restou do espólio da TV Tupi, e cobra caro o minuto copiado e a exibição de programa para os interessados. Um programa da segunda fase do programa Pinga Fogo, com uma famosa entrevista com o medium Chico Xavier, foi conservada e, ao ser lançado em DVD, transformou-se num extraordinário sucesso de vendas…

A única emissora brasileira que preservou a íntegra de sua programação desde sua criação foi a TV Cultura, cujo banco de imagens data de mais de trinta anos, e conta com 70 mil filmes em 16mm, com os programas feitos até 1980 e 60 mil fitas de vídeo que guardam a memória de tudo o que foi exibido desde então e até hoje.

Mesmo a Rede Globo só passou a preservar seus programas em 1995, com o projeto Quadruplex, que limpou e transpôs para sistemas atuais o conteúdo de suas 19 mil fitas de 2 polegadas, reunindo o que sobrou das duas primeiras décadas de sua história.

Do programa Chico City, transmitido nos anos de 1970, apenas nove episódios sobreviveram. Mas foram recuperadas novelas como O bem amado (1973) e Saramandaia (1976). A escolinha do Prof. Raimundo teve seus 1.300 programas preservados. Hoje a Globo mantém arquivos climatizados e informatizados. A Record criou um arquivo que ocupa um prédio de dois andares na Barra Funda. O SBT criou um memorial para contar sua história.

A mentalidade preservacionista no meio televisivo surgiu apenas com a consciência de que o mercado da preservação podia ser lucrativo. Além da re-exibição e da venda de programas para o exterior as emissoras chegam a cobrar US$ 400 por segundo de produtoras de documentários e filmes. A Globo transferiu seu acervo para o PROJAC, em Jacarepaguá, onde um robô captura material nas estantes, repletas de quase 200 mil fitas. Outras milhares, além de 40 mil filmes 16mm estão no SEDOC, arquivo de material jornalístico da emissora.

A Bandeirantes também mantém seu acervo de 80 mil horas de programas em arquivo climatizado e informatizado. Para ver todo esse material uma pessoa levaria nove anos se ficasse sentada diante da TV 24 horas por dia. Não sendo possível ainda manter tudo o que é transmitido, os responsáveis pelo arquivo usam um critério seletivo na reutilizarem as fitas.

O arquivo do SBT conta com 20 mil fitas. Foram preservados na íntegra os programas produzidos a partir de 1990. Uma das imagens mais raras é a única participação de Silvio Santos em um programa não comandado por ele: em 1987, quando esteve no banco de A praça é nossa. Reutilizar uma fita gravada ou deixar de arquivá-la é um desperdício de dinheiro, pois o preço da fita e o espaço que ela ocupa são insignificante em relação ao custo de um programa.

Por amor à TV, muitos colecionadores gravam, há décadas, tudo o que é exibido na telinha. É possível encontrar nos acervos desses fanáticos cópias de programas que, muitas vezes, as redes televisivas que os produziram não possuem mais em seus arquivos, cópias que se transformaram em raridades para todos os nostálgicos que, revendo essas imagens, recuperam um pouco do sabor de sua infância e junventude, tão ligadas à TV.

Fontes

Museu Virtual da Televisão Brasileira.

Memória da TV.

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E LA NAVE VA…

ALEXANDRE MARTINS SOARES

Encontrei uma passagem interessante nas minhas apostilas de estudo de desenho técnico, abordando a falta de memória no Brasil, de forma ampla:

Em nosso meio, a organização racional do trabalho não tem merecido a atenção que lhe é necessário dispensar, talvez em conseqüência da insuficiente formação de técnicos no assunto, bem como devido ao descaso com que se acolhem os princípios e preceitos, advindos da experiência de países mais adiantados. […] A falta de organização racional [em construção civil, indústria – incluso cinematográfica e sua memória] acarreta ainda outros sérios prejuízos à clientela. São raríssimas as edificações – particulares ou públicas – que possuem, nos seus desenhos de detalhes, esquemas que permitam ver com clareza a localização dos encanamentos d’água e gás [grifos meu; lembrou do Rio de Janeiro?] as instalações elétricas, etc. (INSTITUTO UNIVERSAL BRASILEIRO, Desenho de mecânica, Organização do trabalho – 8ª. aula).

A nossa é uma cultura oposta às melhores escolas de organização do labor, que não permite um parafuso, por exemplo, projetado para ser apertado pela chave A receber violentamente a chave B. O resultado será prejuízo à economia, à cultura nacional, riscos à vida, etc. Há, então, problemas em diversas áreas quanto ao planejamento de longo prazo, de manutenção, conservação e desenvolvimento perene (de pesquisa inclusive) no país. Lembrando também que, na economia, se as regras do jogo mudam de forma brusca, caminha-se para o naufrágio.

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PRESERVAÇÃO AUDIOVISUAL (ABPA)

Filme cristalizado.

A Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) foi criada por “organizações, instituições, entidades e profissionais ligados à preservação audiovisual reunidos em assembléia” com o compromisso de “salvaguarda deste patrimônio, instrumento essencial e estratégico do desenvolvimento da sociedade e da cultura brasileira”. A ABPA define a preservação audiovisual como “a atividade de reunião, gestão, conservação e promoção do acesso ao conjunto de documentos que contém imagens em movimento e sons gravados caracterizados em toda sua tipologia ou variedade e usados de forma associada ou isolada, assim como o conjunto de documentos, conceitos, técnicas e tecnologias que lhe são associados”.  As atividades da ABPA podem ser acompanhadas em seu blog Associação Brasileira de Preservação Audiovisual: constatação do risco iminente de desaparecimento desse Patrimônio Cultural.

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DISSERTAÇÃO DE CLARA ALVES TEIXEIRA

TEIXEIRA, Clara Alves. Cinejornal Brasileiro: A documentação do esporte no Estado Novo em comparação com a estética de Leni Riefenstahl. Belo Horizonte: Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, 2011. Orientador: Luiz Nazario. (Dissertação de Mestrado). PDF: http://pt.scribd.com/fullscreen/62580564?access_key=key-2n1lk94olwkkwt1on05u.

Capa do álbum ‘Olympia’, de Leni Riefenstahl, reeditado pela Taschen.
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O DILEMA DIGITAL

O dilema digital

Foi disponibilizado pela Cinemateca Brasileira a edição brasileira de O cinema digital: questões estratégicas na guarda e no acesso a materiais cinematográficos digitais, do Conselho de Ciência e Tecnologia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. Os interessados devem registrar seu nome e e-mail no site da Cinemateca. Para a versão original em inglês pode-se fazer o download diretamente no site da Academia de Hollywood. O Dilema Digital também pode ser adquirido impresso na bilheteria das salas de exibição da Cinemateca Brasileira, ao preço de R$ 30,00.

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MEMÓRIA DA TV NO BRASIL

Vale a pena vasculhar o FUNDO DA GAVETA DO YURI, que conta com pesquisas realizadas no acervo de fitas U-Matic da TVE com muitas informações e preciosas quinquilharias.

Arquivo de fitas U-Matic da TVE em 2011

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O COMPUTADOR TEM UM ‘SEGREDINHO’: SEU VERDADEIRO NOME É CARTRIVISION!

MARCELO LA CARRETTA

Cartrivision VCR montado em console de TV a cores de 1972.

A Sony já havia produzido comercialmente o U-Matic, primeiro sistema comercial a condicionar as fitas magnéticas em cartuchos, aposentando de vez os sistemas que usavam complicados rolos. Porém, o U-Matic não havia convencido os grandes estúdios de Hollywood de que as pessoas comprariam o sistema para uso doméstico, e praticamente nenhum filme foi licenciado para ser exibido no videocassete da Sony. O mesmo ocorreria com o formato Betamax, também da Sony. Somente com o surgimento do VHS pela JVC que o mercado de ‘filmes de aluguel’ alcançaria estabilidade. Mas, muito antes do VHS e do Betamax, existiu um formato que representou um verdadeiro hiato temporal na história do vídeo, o Cartrivision (nome dado pela junção das palavras Cartridge – Cartucho e Television – Televisão).

“A única maneira de ver as coisas”. Desta maneira apresentava-se o Cartrivision, primeiro modelo de videocassete norte-americano a ser comercializado. Criado pela Avco, Ele era o primeiro em muitas coisas, mas a principal delas é o fornecimento pela primeira vez de aluguel ou compra de títulos de filmes comerciais para serem vistos na comodidade do lar. Sua demonstração inicial ao público foi em grande estilo, no popular programa de TV norte americano ‘Whats my line’, uma espécie de jogo de perguntas e respostas de sucesso nas décadas de 1950 a 1980.

Ele possuía manual de instruções impresso, mas o ideal era assistir a videoaula que vinha com o aparelho – “Apresentando o Cartrivision”. No filme, o próprio Cartrivision falava como se ele fosse uma pessoa apresentando-se. Nem um pouco modesto, o Cartrivision se autoproclamava uma ‘máquina do tempo’. A seguir, trechos de sua apresentação:

“Chegue mais perto. Ótimo, adoro audiência. Eu posso trazer a você o que quiser assistir, quando você quiser. Parece impossível? Não para Cartrivision. O que você gosta? O que quer aprender? Posso trazer para você o que desejar.(..) Posso gravar o que quiser da TV, para que possa assistir quando puder. Posso trazer para você a lembrança do último aniversário da sua filha, e com um zoom, pego seu sorriso. Posso ser um sistema de segurança a vigiar seus filhos enquanto brincam, ou ficar na frente da casa tarde da noite. Posso contar a seus filhos a mesma história centenas de vezes, sem me cansar. Como posso te oferecer isto tudo? Tenho um segredinho: sou o Cartrivision.”

Realmente, o Cartrivision tinha muitos segredinhos. Existiam basicamente dois tipos de cartucho, nas cores preto e vermelho. O mais curioso era o vermelho: tratava-se de um filme de aluguel, similar aos de VHS que fizeram tanto sucesso no final do século XX. A diferença para o VHS é que o aparelho Cartrivision não rebobinava o cartucho vermelho. O engenhoso invento fazia com que o consumidor tivesse que devolver a fita à revendedora (não existiam ainda locadoras) e pagar de três a sete dólares caso quisesse ver novamente aquele filme. A revendedora conseguia rebobinar graças a um aparelho próprio para este fim, e devolvia o mesmo cartucho para o consumidor. Uma estratégia comercial que o VHS, felizmente, não quis levar adiante. Mas o maior ‘segredinho’ estava dentro do suporte: medindo aproximadamente 15 centímetros, o cartucho condicionava dois rolos, um em cima do outro. Isso permitia uma gravação física de sessenta minutos a cores (somente a câmera era preto-e-branco). Como então explicar a existência de filmes em Cartrivision de duas horas de duração, ou o filme E o vento levou em apenas dois cartuchos? O que quase ninguém sabia à época é que o complexo sistema Cartrivision possuía um engenhoso sistema de compressão de vídeo, um dos melhores do seu tempo. Sua cadência de reprodução era 30 quadros por segundo (mesmo do U-Matic a cores), mas a fita podia armazenar no mesmo espaço três vezes mais informação. Numa associação simples, seria o equivalente a gravar o VHS em SLP (Super Long Play, que dava à fita a incrível capacidade de estender a gravação de duas para seis horas, mas a custo de uma baixa de qualidade a pontos sofríveis). O sistema de compressão Cartrivision era em muito superior ao SLP, perfeita e imperceptível, ao contrário do que se via no VHS.

O Cartrivision, por estes atributos, parecia ser um daqueles formatos de vídeo promissores e aptos a deixar seu legado na história. Possuía no seu lançamento 111 títulos para venda (pretos) e 200 títulos para locação (vermelhos), marca alcançada somente cinco anos mais tarde pelo VHS. No seu extenso catálogo de títulos disponíveis, podia-se comprar desde filmes da década de 1920, Charles Chaplin, clássicos, desenhos para as crianças e até o título mais polêmico daquela década, o pornô Garganta profunda. Mas historicamente sabemos que o formato não se popularizou, deixando a empresa Avco na falência apenas um ano após seu lançamento. O principal entrave foi o preço – mil e seiscentos dólares, algo muito caro em 1972 (quase sete mil dólares hoje). Parte do preço devia-se a sua fabricação, praticamente artesanal, e ao fato do aparelho só poder ser vendido com um televisor de 22 polegadas acoplado, já que o Cartrivision possuía saídas específicas de sinal em uma época em que as TVs não tinham sequer entrada de áudio e vídeo, só de RF (antena). Outro problema foi a estratégia de venda em grandes magazines como a Sears, frequentado por pessoas que não teriam como pagar pelo aparelho. Para finalizar, a RCA atrapalhou as vendas definitivamente ao anunciar ainda em 1973 um formato mais novo e barato, o SelectaVision MagTape (protótipo que praticamente não chegou a ser vendido, originando o sistema japonês Video Home System – VHS em 1976). Em julho de 1973, anunciava-se finalmente o Cartrivision separado de uma TV na venda, por um preço um pouco mais acessível (oitocentos dólares). Mas já era tarde.

O Cartrivision foi descontinuado no mesmo 1973, praticamente um ano após seu lançamento. Seus cartuchos leiloados em lotes de cem dólares. Estranhamente, lotes de Cartrivision armazenados corretamente simplesmente desintegraram, tornando a mídia inutilizável menos de uma década após sua fabricação. Hoje, é tarefa quase impossível reproduzir uma fita em Cartrivision. Ou seja, pessoas que filmaram seu casamento ou sua festa de família não podem mais ver seus filmes. Existem relatos de artistas famosos da década de 1970 que procuram desesperadamente recuperar seus Cartrivisions, pois gravaram suas aparições na TV pelo aparelho e hoje só eles possuem estas gravações, pois até a emissora perdeu as fitas.

Porém, seu sistema gerou seguidores. A Sony e a JVC incorporaram várias funções que existiam no Cartrivision, como o timer para gravação da TV em qualquer horário. Mesmo com a falência do Cartrivision, os grandes estúdios começavam a perceber a rentável indústria da videolocadora. Seu sistema virtual de armazenagem de dados no mesmo espaço foi uma das bases do atual sistema de compressão de vídeos. Mesmo a técnica da ‘fita irrebobinável’ tentou ser utilizada por alguns protótipos de players de DVD, o que acabou originado um sistema de arquivos e um disco novo, chamado de DIVX (Digital Video Expres). Não confundir com DivX codec: o DIVX disco era mais barato que o DVD, e uma vez comprado e usado, “expirava” em 48 horas. Mas em comum com o Cartrivision, o DIVX foi também um fracasso comercial. Mas, mesmo tratando-se de soluções analógicas e digitas de compressão, trata-se no final das contas do mesmo sistema que hoje possibilita a visualização de filmes de duas horas com taxas de compressão altíssimas e quase nenhuma perda de qualidade perceptível, modelo que hoje é indispensável com a visualização de filmes pela internet.

Realmente, o Cartrivision era uma máquina do tempo. Ele na verdade é de 1998, chamou-se DIVX, hoje é vídeo-on-demand pago, e resolveu experimentar sua aceitação caso fosse lançado em 1972. Logicamente sem TV a cabo ou internet, sem a cultura e a facilidade das várias telas em casa, foi obrigado a carregar uma série de fardos tecnológicos. Não dando certo, tentou ser digital, competindo com o consagrado DVD. Não dando certo novamente, contentou-se com os dias de hoje, onde é considerado o sistema mais eficiente das compressões virtuais de vídeo, e talvez a salvação das videolocadoras, que tentam migrar sua metodologia para o consumo virtual (e pago) de filmes. Mas se chegarmos bem perto, corremos o risco de ouvir o computador falando: ‘Tenho um segredinho: sou o Cartrivision’.

Apresentação do Cartrivision:

FONTES E REFERÊNCIAS

APRESENTAÇÃO do Cartrivision: http://www.youtube.com/watch?v=tAOODwH73D0.

CARTRIVISION on ‘What’s My Line’: http://www.youtube.com/watch?v=CPEjhiOk2XI.

CARTRIVISION. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=tAOODwH73D0.

CED in the History of Media Technology: http://www.cedmagic.com/history/cartrivision.html.

DIVX’S Death Pleases Opponents. Dan Fost. San Francisco Chronicle June 18, 1999. Disponível em http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/chronicle/archive/1999/06/18/BU89741.DTL2.

DOURADO, Luiz. Depoimento pessoal inédito, com valiosas contribuições ao presente texto revisado, pelas quais o autor agradece.

GREENBERG, Joshua M. From Betamax to Blockbuster: Video Stores and the Invention of Movies on Video, p. 52.

LABGUY’S World. Cartrivision ~ The First ALL American Home VCR. Disponível em: http://www.labguysworld.com/Museum017.htm.

RETROTHING: Cartrivision: The USA’s First Crack At Video Cassettes: http://www.retrothing.com/2007/12/cartrivision.html.

REVISTA Popular Science, jul. 1973, p. 20.

WASSER, Frederick. Veni, vidi, video: the Hollywood empire and the VCR, p. 62.

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